sábado, fevereiro 07, 2026

sem te inventar

cercada por uma urbanidade diferente, um outro ponto de vista da cidade, desse porto que hoje está meio chuvoso, meio branco, meio quieto. às vezes claro demais, às vezes tão contido que vira concreto. minha alma, que gosta de arte, beleza, liberdade e sorriso, experimenta outros ritmos, sem diminuir para caber no espacinho reservado ao coração da matrix.

gosto da minha companhia.
fico na minha zona de conhecidos. faço meu café, ainda não meditei, tenho aulas para assistir, vídeos da lama para inspirar, água gelada para o dia quente. e uma sensação de tranquilidade que a solitude sabe entregar.

já não há o desejo de ver ela acima de qualquer outra coisa. fiquei mais mansa, mais amiga da minha angústia. entendi quando disse: não quero que a gente saia daqui com esperanças.
baque, verdade e cuidado. antecipa a ação de antemão. 

para quem só queria beijar sem pressa e esquecer do mundo, aquele beijo que dança, que molha, que atravessa…
pára.

dizes: não posso te dar o que tu mereces. escuto: eu sinto, mas não quero ir além. 

no trailer vivo e entregue que experimentamos eu pude sentir ela como um presente. mereço este presente, não tenho dúvidas! ela fala, eu escuto o que posso perceber, eu falo e ela escuta o que pode perceber. estar em relação nos desalinha. plano diretor de relações não existe!

inteiras no instantes não sabemos do depois. vida mar. ah o mar! respeita a maré, enfim sem fim. 

insisto em ouvir o som do gemido dela no meu travesseiro, o sorriso meio tímido, o gesto esvoaçante. o passo rápido de quem não pode permanecer além do café da manhã. eu com minhas ressalvas, todas mentais. todas equivocadas. 

driblando minhas cicatrizes para que o brilho deste encontro relâmpago penetre a terra que é o meu corpo com a vitalidade da brincadeira viva.

outro avião pousa. o ir e vir é constante. 
se fecho os olhos agora, vejo nossas mãos se tocando na praia: veias, pulso, vermelho e dourado.
divino carnal. sutil sexy. íntimo imprevisível. 

se fecho os olhos depois, quem saberá. não sei de ti. só posso saber de mim, sem te inventar.


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