terça-feira, outubro 16, 2007

afinal hoje é o meu aniversário...

moi...

Viajei Ligado num segundo No seguinte desliguei Do que eu ia dizer Divaguei Devagarinho, evoluindo Num carinho teu Perdido a me perder Mar adentro, noite afora Agora, amor É hora de querer Dessa vida a proa Sem sentido, à toa As ondas de carinho Levaram as palavras Mas eu sigo indo As ondas são caminhos Já não sei Do tanto que eu diria O quanto que me dispersei Não quero nem pensar Viajei Viagem boa A gente não enjoa de esquecer Que um dia vai voltar Mar adentro, noite afora Agora, amor É hora de ficar Nessa vida à toa Sem sentido a proa As ondas de carinho Levaram as palavras Mas eu sigo indo As ondas são caminhos Viajei, viajei Viajei, viajei...

letra Vitor Ramil

segunda-feira, outubro 15, 2007

oração da tarde

eram quatro senhoras negras. elas vestiam branco e a mais velha um outro casaco marrom por cima. faziam tudo junto. abriam e fechavam caminhos. pediam. rezavam. oferendavam. acendiam. e nem se tocavam. tinha um vento frio e a estátua de Oxum ali vendo de cima. jogaram no rio. tudo a ela.
na hora de ir não podiam dar as costas ao rio e sairam andando para trás. como quem espreita. como quem protege. agora, já falavam umas com as outras sobre os trabalhos. sobre quantidade. tinham bacias grandes e saias grandes. pano branco na cabeça. lindas! o mais incrível foi vê-las entrando num carro. tinha um moço que provavelmente era filho de alguma delas e que falava ao telefone enquanto tudo acontecia... depois ele que as levava dali. no carro dele.
fiquei pensando se era um trabalho encomendado... bem, se foi, pode ter certeza que é dele já! ou não é dele mais! elas eram tão exuberantes que o rio inteiro se abriu e levou...

. são oferendas! tudo oferendas! salve oxum, salve minha mãe, salve meu pai! e também salve a livre expressão, o verde, o vento, the knife, caetano veloso, sinead o 'connor, chico buarque, minhas lembranças e condições ultrapassadas, mas que valeram nesse tempo que já era! não é mais! não serpa mais!
amanhã começa um ano novo! chega desse desgraçado inferninho astral! amanhã é o dia das oferendas! banho de rio! banho de audácia e perspicácia! que venham os relâmpagos de renovação! o horário de verão! sãopaulo no final da tarde! que venham as sequências de delícias pungentes! aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh, salve todos os meus mais loucos devires! que venham , sejam e me façam!

referendas

Lá fora, amor. Uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu.

sábado, outubro 13, 2007

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é tanta coisa junto que fica vazio agudo..............
sonhei com uma louca essa noite. a mulher ficava gemendo aos poucos, vez em quando... se mantinha toda no chão. semi-deitada. de repente ela gemeu de novo e esfregou o rosto na terra com violência. levantava e me olhava. era para eu ver tudo aquilo, mas eu não era a pessoa indicada.

segunda-feira, outubro 08, 2007







antes de embarcar.

tudo fica mais claro em dias nublados, ainda mais quando se espera o ônibus. ainda mais quando se perde a coisa vista por tanto tempo. o que estava entre o objeto e o meu olhar. a distância certa. o espaço da criação. a sobriedade da loucura. a tendência ao medo acaba quando se sente medo. não, eu não gosto dos espíritos obscuros e de janelas sujas... quando nem mesmo sabia o que as tais janelas escondiam dentro, sentia-me como quem encontra algo precioso. algo que ainda não foi devidamente reconhecido e desejado. ah, vida engraçada quando vem o sol e as janelas estão abertas já... se pode ver, então, a pérola de antes se transformando em limo, em pedra preta dessas de lago, dessas que quando se pisa, se resvala... cai de bunda!
caí simplesmente e agora na janela do ônibus em movimento não tenho medo e nem alucinação através da janela. tenho certeza que já sei saltar sobre a pedra com limo.

o maior ensinamento da redução é a impossibilidade da redução completa...

quinta-feira, outubro 04, 2007

each other

sofrimentos espalhados. cada um sente ao seu modo... e as tendências e vias rápidas de ação, são tão diferentes e mesmo assim em algum ponto elas se cruzam!
a manhã quando se sai de um lugar escuro, com luz artificial, muito cheiro de cigarro e gosto de bebida na boca... a cabeça gira mais que urubu em volta do peixe morto... eu sai um tanto embriagada, um tanto acordada ainda e cai na rua já amanhecida. com os passarinhos cantando e um frescor nas narinas que me impulsionou a chamar o táxi mais próximo. abri a porta do apartamento e ainda vi todos os vestígios.
estou dentro de mim como já não sabia que podia estar. reconheço a distância com o exterior.
dói. arde os ossos por vezes e a perna insiste em balançar-se involuntariamente.
deve ser aí que se cruzam as oposições - onde elas se dobram para poderem balançar-se...