segunda-feira, outubro 30, 2006

o sol se pôs na pracinha e faltava tu pra me contar a história... lembra daquele ano-novo?
tudo bem... as coisas são tão fixas quanto as ondas, quanto a oralidade dos antigos mestres empalhados em alguma caverna!
like me - avoadinha mas bem ligada!
deixa pra trás! vem no vento! pensa na beira do mar! bem no vento!

posso chegar?

deixa pra trás! mas lembra!lembra!

terça-feira, outubro 24, 2006

bem devagar...

isso! vem! vem e me toma! tira daqui oh... o que nem mesmo é meu! trava de um jeito que as mais avançadas tecnologias não convertam... ora, ora, não tens as mínimas condições! pessoa em pânico! vou te dar um susto! oh! oh! vai! te atravessa, sente e pára bem na frente do cara que acabou de ser atrolpelado! morre desgraça! morre ao menos por um átimo de segundo... reintegra, recicla essa mente dominada! servo besta! vai pra rua, dorme nela, te droga muito e não penteia mais a porra desse cabelo liso! não é ninguém que tá te dizendo isso, não! já está em ti, já és um paralítico! aqui todos precisamos ocupar, ocupe-se! mas ocupe-se com o corpo, com a merda dos sentidos, dos órgãos todos um sobre os outros. todo canceroso, doente, nesse organismo máquina datada, nessa fábrica de repetições, de regrinhas para a manhã e para a noite! vê se dorme um pouco e acorda com coceira, levanta os braços e grita ou abafa!
flexibiliza nem que seja um pouco o dedinho mínimo na esperança de que ele mande algum tipo de cheiro com vida pra o resto desse amontoado de deformidades que se constituiu o teu dentro, o teu avesso. dobra! dobra! retorce esse quadril! dança bem na boquinha da garrafa pra ver se ainda sai algum líquido outro daí!
A água do rio de repente ficara turva, foi uma pedra atirada, o meu corpo caído. Transbordara, o rio roçando na pedra. Pedi ajuda, chorei, não era a hora! Chamei o meu avô. Como posso ter imaginado tanto? Estava enfim sozinha, pelo menos ali, naquele inóspito. Havia chegado tinha pouco tempo e já estava atrelada aos velhos vícios, círculo estratificado.
Buenos Aires não estava nos planos para completar a náusea, o descaminho. O tempo cada vez mais esgotado. A data se aproximando a cada nova hora. As circunstâncias ligeiramente passando pelo meu corpo e me arrastando.
Atravessa-me água turva! Desestratifica-me! me tira dessa péssima órbita projetiva vulcânica! me desata dessa realidade dominante e me leva pra bem perto do mais transeunte possível!
Fomos eu, o rio e a pedra desabotoados pela correnteza. Sou menos matéria consciente do que poderia providenciar. Algoz da minha saliva e olhos desprendi-me a tempo! Em tempo! dentro da selva da mesquinharia, da covardia! Aboli-me!
Passei a nadar - adentrada pela primavera!

sexta-feira, outubro 20, 2006

blow up

Eu sentia um prazer especial pensando que teu olho por detrás da lente buscava meus melhores ângulos, meus melhores detalhes, parafraseando o olho perfeccionista do mestre, especialmente pensando na tua vontade de descobrir a outra metade do quadro, a metade que a lente não deixava transparecer. Estávamos em pleno jogo de ângulos. Era como se o sábado havia se transformado em um além-lugar e a ante-sala era a existência inteira. Pensava na praia em dia nublado, voava baixo como as gaivotas, respirava rapidamente falando o menos necessário. Era o silêncio o que mais importava. Chá das cinco, sem o sal inglês e com uma constante latinidad italiana.
Lembrei de Roma todo o tempo! E não é que tinha uma folhagem linda bem pertinho de nós! E flores, elas permaneciam... o convite era para um piano soar, delirante, arrebatador! Mais um click e outro e outro, era preciso registrar em mim, no meu olho, dobrar-me. Afinal, o outro dia não tardaria em chegar e com ele todos os seus princípios de realidade, seus axiomas e seus afins. As teorias no nosso entre eram passado, no entanto, evidenciavam. Quando não se sabe bem o que se está produzindo por dentro, o melhor mesmo é correr pelo vento e ter esperanças! Como as gaivotas, esperar a nova onda e o alimento recém saído da casca.
Pelas minhas vias de conduto, pelos meus spazios, queria mesmo era ouvir o rio... ser o rio... delirar suave, molhada pela tua água, pelo teu olho, pela tua lente. Sigo pelo além-lugar, pelo sábado todo, pela semana toda. Filha de Oxum com camomila e mel.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Ooh La La e.l.e.c.t.r.o

vvvvvvvvvuuuuuuuuuuummmmmm...
yeah yeah yeah yeah...
yeah yeah yeah yeah...
yeah yeah yeah yeah...
vvvvvvvvvuuuuuuuuuuummmmmm...
my favorite moment!
yeah yeah yeah yeah...
yeah yeah yeah yeah...
yeah yeah yeah yeah...

vvvvvvvvvuuuuuuuuuuummmmmm...
So stand up make it mine!
yeah yeah yeah yeah...
yeah yeah yeah yeah...
yeah yeah yeah yeah...
mmmmmmmmmmmmmmmmmmmm...
turn me out!
la la la la la la la la la!
on the road!
so, please:
yeah yeah yeah yeah...
yeah yeah yeah yeah...
yeah yeah yeah yeah...

b.a.l.e.

projetada pelas asas dos anjos tentei sair sangrando e em dor suculenta quebrei os vidros com as próprias mãos abruptamente tropeçando no meu próprio destempero. reconhecidamente menina récem acordada.
hoje ouvi um bandolim e alguns gritos de quebranto espanhol. a casa passou a ter um córrego bem no meio de mim, bem mestiço!
mestiço has de ser por tus vícios!
quando te mirares verás que te comem por trás e arriba, cante e te alegres, entonces!
hermano, la vida és más cortante que los derechos humanos!

quinta-feira, outubro 05, 2006


sabe que quando me disseste por telefone da gravidade da situação eu não pude deixar de pensar o quanto havia perdido tempo antes de ir na verdade parece que a gente só se dá conta do quanto perdeu de instante depois que alguma coisa definitiva acontece não estava prevendo nada mas durante toda a semana senti uma constante dor afinal porque é mesmo que não podemos falar o que sentimos? concordo que para produzir se tem de esquecer dessa história que paralisa desse passado que constrange esquecer para poder fluir novo diferente durante a dúvida se vão vários dias passam bem líquidos Menina ostra, ostra... menina tímida constrangida paralisada como o meu amor desliguei o telefone e transcendi parando lá em cima.

terça-feira, outubro 03, 2006

Manhã do dia seguinte

Sabia sabiá de antemão que não dava pra passar da linha amarelinha da calçada. Mas fui, não é mesmo? Não tinha ninguém ali parado barrando o acesso e aí... Fui, fumando um cigarro e desabotoando a manga da camisa. Aquela sensação de roupa lavada na lavanderia com cheiro igual ao de outras tantas me deixou ligeiramente zonza. Quis ventilar rápido! Alinhando-me à linha. Amarelando por dentro, todavia. Não podia ter sido daquele jeito “gomado”. Cheguei cedo demais organizei tudo e não era naquele tom, nada daquilo, não tinha de ser. Kaputz! Quase fui parar debaixo da mesa! Sucessão de equívocos alinhados - empolado amarelo...
Mas sabe... quando vi o cara debaixo do caminhão, tombado, caído, imóvel, com uma poça de sangue embaixo da cabeça que se mantinha dentro do capacete... o amarelo sumiu!
Às 18h ouvi um bem-te-vi.
O sabiá queria saber demais!

domingo, outubro 01, 2006

je reviens


às vezes às vezes que é às vezes posso tudo vou com isso produzi o caminho sou tudo quanto frequentei a mim mesma o quanto me desmantelou produzi o filme mais belo em preto e branco a capacidade de esgaçar as roupinhas brancas cooptei a quantidade feroz da rigidez suspendendo a minha audácia tremi formulando o índice de aproximação e fui sendo sublime cantando com os bem-te-vis louca pra perder o senso obturei o princípio da felicidade pulando pra dentro do pier desci te encontrei o retorno a novidade do instante o instantâneo dócil a mão caiu na tua e de lá de onde não quero mais e quando vi já estive daquele lado ali no quanto nem mesmo quis bem que te quis e livrei do quanto pudi corresponder ao real desfeito passado cheio de gotinhas pulantes negligência intrépida capaz de constelar todas as minhas malícias charme barato quem não quer mais posição terrível em relação ao sofá vermelho ficou mais um pouquinho sentei de lado e com gula ficou mais perto da hora de nem mais estar e quando vi de novo era o mar revirei com a onda a coberta e produzi o momento qual quis qual tinha de ser louca pra mudar louca pra habitar pintei a parede certifiquei da altura estávamos bem ali aquilo que fiz já se desfez no piano da esquerda o da direita está com a última tecla um pouco solta no vento com o vento e a chuva começou no mesmo instante em que estavas lendo na cama a música dava pra ouvir reposicionei o cinzeiro limpo uma carteira de cigarros inteira às vezes corri capturando dentro dela não acompanho a romaria quis fugir rasguei a folha bilhete esquecido virgulando capaz de estar trancado nem grudei o tom rebuscado foi até a última gotinha de quando te vi pela última vez mudança na aparência atividade interna quando ali eu pulei devagar não deu pra parar estive estou estarei estando bem do teu lado suave louca pra parar!