terça-feira, novembro 11, 2025

o universo inacabado _

 a sensação é a de que está tudo se alargando no sentir, talvez possamos falar em uma nova cognição do sentir. a mente que já não comanda o rolê, está equilibrada pelo coração e intestino. três cérebros. três modos de produzir sinapses. somos este todo ecossistemico de constelações de sentires e desejos. Tem mais ou menos um mês que percebo que existem outas pessoas na tua vida. assim vivendo na mesma casa é um tanto estreito no sentido de que nos vemos impreterivelmente no dia e contamos ainda que por alto como será a agenda e as vontades. e agora te sinto evitativa. me contando, e também deixando aberto a sequencia dos fatos. e assim posso perceber o quanto nos últimos tempos não abríamos este espaço para um nem outra. desde que vivemos a aventura de construir e morar no meio da floresta, estávamos unidas de um modo fusionado que nem percebíamos. havia virado rotina saber tudo de ti (!): onde irias que horas mais ou menos voltarias, com quem estavas, etc. tudo muito controlado - entendo que não éramos assim, no entanto com as perdas que vivemos, foi assim. a gente virou, como costumo dizer: um monobloco, uma só. no sentido de segurança, estabilidade, confiabilidade e lealdade. alguma coisa ali que não iria desabar - movemos, saimos de lá, daquela cidade do interiror que carrega conservadorismo e folclore - muito diferente de cultura diga-se de passagem. é algo estaque o folclore, há quanto tempo se dança as mesmas danças? parzinho geralmente é heteronormativo: meninos dançam com meninas, no máximo elas dançam entre si em um intermezzo, mas a peça principal é invariavelmente hetero. canseiraaa da pacatice de inovação pelo menos no que tange as relações interpessoais! que estas que eu prestava atenção para verificar como se davam. a energia masculina em mim se revelava no contato com outros homens e eu passei a lá no íntimo, talvez sentir um preconceito raíz. tínhamos um amigo na época que morava lá no interior, representava de algum jeito as memórias e crenças daquele povo ali: "vocês são, mas são diferentes", vocês não ficam mostrando sabe... não tem esta necessidade e acho isto muito bom, porque dai descontroi na cabeça das pessoas que acham que ser assim é de determinado jeito, (e vocês são decentes, ele não falou esta palavra, mas deu pra ler nas entrelinhas), tem boa aparência e são simpáticas, todo mundo gosta de vocês..." ele falava e eu lá no fundo reconhecia que tinha algo de torto ali, de desarranjado, de duro e amargo.... mas talvez não queria ver porque considerava muuito este cara - amigão... no entanto tinha algo ali que depois de um tempo veio se revelar. as verdades sempre se revelam. o que é de cada momento aparece no momento. 

observando estes fatos como balisadores, aqui em casa agora, já de volta na cidade grande, volto ao contato com os amigos de longa data, sinto que o monobloco virou duas e estamos de novo em nós. nos buscando em nós e no ambiente e se encontrando consigo em quinas internas, duras, que nos pedem passagem para curvas, novas curvas, mais alargamento, abertura e elevação de consciência. sinto o movimento tirando tudo do lugar agora, confiantes que estamos em poder sentir a mutabilidade constante e a impermanente da vida nos ossos. estamos soltas, ouvi este termo e senti esta soltura dentro! já não há mais retorno, o monobloco se partiu e agora a inteireza é de cada uma.